terça-feira, 12 de março de 2013

Geografia na poesia


A poesia é de Catulo da Paixão Cearense - poeta e declamador, que nasceu, não no Ceará, mas no Maranhão, em 1863, e compôs junto com João Teixeira Guimarães, um dos maiores clássicos da música brasileira Luar do Sertão.

Perceba o seu desencanto com a cidade, e o olhar bucólico, saudoso, para o interior do Brasil. A idealização da paisagem e o desconforto com mundo pra onde parece ter sido empurrado. Luar do Sertão é de 1910. Dá pra imaginar o espanto do poeta ao ver uma cidade como São Paulo, hoje, em pleno século XXI?


LUAR DO SERTÃO

Não há, oh gente, oh não,
luar como esse do sertão...

Oh, que saudade
do luar da minha terra,
lá na serra branquejando
folhas secas pelo chão...

Esse luar cá da cidade, tão escuro,
não tem aquela saudade
do luar lá do sertão...

Não há, oh gente, oh não,
luar como esse do sertão...

Se a Lua nasce
por detrás da verde mata,
mais parece um sol de prata
prateando a solidão...

E a gente pega
na viola que ponteia
e a canção é a lua cheia
a nos nascer do coração...

Não há, oh gente, oh não,
luar como esse do sertão...

Coisa mais bela
neste mundo não existe,
do que ouvir um galo triste
no sertão, se faz luar...
Parece até que alma da Lua é que descanta,
escondida na garganta
desse galo, a soluçar...

Não há, oh gente, oh não,
luar como esse do sertão...

A gente fria
desta terra sem poesia
não se importa com esta Lua,
nem faz caso do luar...
Enquanto a onça,
lá na verde capoeira,
leva uma hora inteira
vendo a Lua, a meditar...

Não há, oh gente, oh não,
luar como esse do sertão...

Ai, quem me dera
que eu morresse lá na serra,
abraçado à minha terra
e dormindo de uma vez...
Ser enterrado
numa grota pequenina,
onde, à tarde, a sururina
chora a sua viuvez...

Não há, oh gente, oh não,
luar como esse do sertão...

Se Deus me ouvisse
Com amor e caridade
me faria essa vontade
o ideal do coração:
era que a morte
a descantar me surpreendesse
e eu morresse numa noite
de luar do meu sertão.

Não há, oh gente, oh não,
luar como esse do sertão...

         

                           


MEU QUERIDO PAIOL
                                          Hélio Ziskind

Meu querido Paiol (4x)

É onde eu moro
Onde eu guardo as minhas coisas
Onde a chuva não me alcança
Nem o vento e nem o frio
Onde eu durmo, onde eu relaxo
A minha casa, onde eu me sinto bem
uuuhhh...

Meu querido Paiol (4x)

É arejado, muito bem iluminado
A vista é linda
Tem primeiro andar, escada, segundo andar
Tudo muito organizado, caprichado
Cada coisa em seu lugar
uuuhhh...

Clique no link a seguir e ouça: http://www.youtube.com/watch?v=GMnEnZ1ANy0

A música de Hélio Ziskind é um exemplo muito interessante de como podemos pensar a identidade das pessoas com um lugar. É também um exemplo de espaço vivido - lugar com o qual estabelecemos um vínculo muito forte, que por isso nos é familiar. 


domingo, 10 de março de 2013

Tema III - Mini-seminário (9º. ano - FSA)

Apresentação dia 15/09 - Leonardo N., Luiz, Natan e Vítor

Por Aloysio Biondi, em O BRASIL PRIVATIZADO

“Compre você também uma empresa pública, um banco, uma ferrovia, uma rodovia, um porto. O governo vende baratíssimo. Ou pode doar. Aproveite a política de privatizações do governo brasileiro. Confira nas páginas seguintes os grandes negócios que foram feitos com as privatizações – “negócios da China” para os “compradores”, mas péssimos para o Brasil.

Antes de vender as empresas telefônicas, o governo investiu 21 bilhões de reais no setor, em dois anos e meio. Vendeu tudo por uma “entrada” de 8,8 bilhões de reais ou menos – porque financiou metade da “entrada” para grupos brasileiros.

Na venda do Banco do Estado do Rio de Janeiro (BANERJ), o “comprador” pagou apenas 330 milhões de reais e o governo do Rio tomou, antes, um empréstimo dez vezes maior, de 3,3 bilhões de reais, para pagar direitos dos trabalhadores.

Na privatização da rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, a empreiteira que ganhou o leilão está recebendo 220 milhões de reais de pedágio por ano desde que assinou o contrato – e até abril de 1999 não começara a construção da nova pista.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi comprada por 1,05 bilhão de reais, dos quais 1,01 bilhão em “moedas podres” – vendidas aos “compradores” pelo próprio BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), financiadas em 12 anos.

Assim é a privatização brasileira: o governo financia a compra no leilão, vende “moedas podres” a longo prazo e ainda financia os investimentos que os “compradores” precisam fazer – até a Light [vendida para o Estado francêsrecebeu um empréstimo de 730 milhões de reais no ano passado. E, para aumentar os lucros dos futuros “compradores”, o governo “engole” dívidas bilionárias, demite funcionários, investe maciçamente e até aumenta tarifas e preços antes da privatização.

FONTE: portal “Viomundo”  (http://www.viomundo.com.br/denuncias/aloysio-biondi-compre-tambem-sua-empresa-publica.html)



Um balanço do desmonte do Estado: Baixe gratuitamente "O Brasil Privatizado" 1 e 2



Tema II - Mini-seminário (9º. ano - FSA)

Apresentação dia 14/09 - Ana Paula, Giuliana e Julia C.


O funcionamento do FMI*
O FMI funciona como uma empresa, os votos dos membros dependem da quota do país, os Estados Unidos têm poder de veto na instituição internacional. O presidente é sempre europeu e o número dois dos EUA.

Sede do FMI em Washington

Ao contrário de uma instituição democrática, o FMI tem um funcionamento semelhante ao de uma empresa, assinalam Damien Millet e Éric Toussaint1. Tal como uma empresa o poder de decisão depende da quota de cada um dos “sócios”. Essa quota é “calculada em função da importância económica e geopolítica do país”.
O FMI funciona com a sua própria moeda, os Direitos de Saque Especiais (DSE), cujo valor varia diariamente em função de um cabaz de moedas, composto por dólar, iene, euro e libra. Cada país que adere ao FMI deve depositar um montante de, pelo menos, 25% em DSE ou numa das moedas que o compõem (ou em ouro nos depósitos realizados até 1978). Esse montante determina o peso que o país tem dentro do FMI.
O órgão máximo da instituição financeira internacional é a Assembleia de Governadores, composta por um representante e um suplente de cada um dos 185 países membros da instituição. Normalmente, o representante de cada país é o ministro das Finanças ou o Governador do banco central. A Assembleia de Governadores reúne uma vez por ano, em Outubro.
O órgão de direcção executiva do FMI é o Conselho de Administração composto por 24 membros, que reúne em princípio três vezes por semana, pelo menos. Oito países estão permanentemente representados no órgão executivo de direcção do FMI: Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Arábia Saudita, China e Rússia. Os restantes 16 membros são nomeados por grupos de países.
O Conselho de Administração do FMI elege um presidente com um mandato de cinco anos. Uma regra tácita estabelece que o director geral do FMI é um europeu, enquanto que o presidente do Banco Mundial é dos Estados Unidos. Actualmente, o chefe do FMI é o francês Dominique Strauss-Kahn, destacado dirigente do Partido Socialista francês. A segunda figura do FMI é sempre dos Estados Unidos, sendo actualmente John Lipsky, ex-vice-presidente do banco norte-americano JPMorgan.
Em 2008, a distribuição de votos entre os 24 membros do Conselho de Administração do FMI era a seguinte:
Dados e gráfico, segundo o livro de Damien Millet e Éric Toussaint já citado.
Os oito membros permanentes da administração do FMI têm, em conjunto, 47,9% dos votos. As decisões fundamentais do FMI necessitam de uma maioria de 85%, o que na prática significa que os Estados Unidos detêm o direito de veto, já que sem o seu voto (equivalente a 16,77%) é impossível atingir os 85%.
Os autores citados salientavam em 2008 que o montante dos créditos do FMI aos seus Estados-membros se tinha reduzido nos anos anteriores e que o FMI esperava “desesperadamente” por novos pedidos de empréstimo. A intervenção na crise das dívidas soberanas na Europa veio certamente em muito boa hora para o Fundo Monetário Internacional.
Texto de Carlos Santos

*Texto disponível em <http://www.esquerda.net/dossier/o-funcionamento-do-fmi> Acesso 10 mar 2013.

1 “60 Questions, 60 Réponses sur la dette, le FMI et la Banque modiale”, Damien Millet e Éric Toussaint, Éditions CADTM (Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo), Novembro de 2008. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

O LUGAR 

O lugar é onde a vida acontece. É onde trabalhamos, brincamos, lutamos pelo nosso pão de cada dia, é onde vivemos os momentos bons e ruins, onde estabelecemos vínculos, laços afetivos, nossa raiva, nossa esperança, nossas lembranças. Por isso há lugares com os quais nos identificamos muito. E há lugares, também, onde não fazemos a menor questão de estar.



Foliões se divertem no carnaval de rua na Vila Esperança, em S. Paulo (1964)
Foto ARQUIVO/AE


As lembranças que temos, são em parte lembranças dos lugares. Acompanhe isso na música Vila Esperança, de Adoniran Barbosa.

Vila Esperança, foi lá que eu passei
O meu primeiro carnaval
Vila Esperança, foi lá que eu conheci
Maria Rosa, meu primeiro amor


Como fui feliz, naquele fevereiro
Pois tudo para mim era primeiro
Primeira rosa, primeira esperança
Primeiro carnaval, primeiro amor criança


Numa volta no salão ela me olhou
Eu envolvi seu corpo em serpentina
E tive a alegria que tem todo Pierrô
Ao ver que descobriu sua Colombina


O carnaval passou, levou a minha rosa
Levou minha esperança, levou o amor criança
Levou minha Maria, levou minha alegria
Levou a fantasia, só deixou uma lembrança



sexta-feira, 1 de março de 2013

TAREFA DO 7º ANO (FSA)

Memória dos lugares

A memória dos lugares pode ser transmitida oralmente. Em geral, são as pessoas mais velhas que transmitem, através de relatos saudosos, as lembranças do que havia, e já não há mais. Das relações entre as pessoas, da natureza que foi modificada, das edificações que desapareceram ou passaram a ter outra finalidade. O que resistiu e o que não resistiu aos anos. Já o registro dessa memória é feito através de imagens, textos, músicas, sons gravados e uma série de outros documentos e objetos.


Veja a sequência abaixo: 


Vale do Anhangabaú, em 1927 (autoria desconhecida)




O mesmo Vale do Anhangabaú nos dias atuais. Foto de Christian Knepper / Embratur


OUTRAS FORMAS DE REGISTRO:

FILME



Cena do filme Orpheu Negro (1959). Premiado filme ítalo-franco-brasileiro, dirigido por Marcel Camus, baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes. Entre suas virtudes o registro de importantes imagens das favelas do Rio de Janeiro da década de 1950, o samba carioca e da bossa nova.

PINTURAS

Abaixo, quadros que registram cenas e paisagens em diferentes momentos e lugares.



De Almeida Júnior. O violeiro (1899). 





De Cândido Portinari. O café (1935)





De Francisco Rebolo. Praça Clóvis (1944)





De Debret. São Paulo de Piratininga (1827)


DESENHOS

A seguir, desenhos mostram uma série de cenas e paisagens que interessam à geografia e são registros da memória dos lugares.


Desenho de Percy Lau, rememora a atividade dos tropeiros.




Bagé antiga, retratada pelo desenhista Xico.





Ilustração de Cícero Dias mostra Casa Grande e Senzala




Rua e paisagem de Araraquara, em desenho de Francisco Lopes






Rio antigo, em ilustração de Mariana Bonifatti



A atividade: individualmente, em duplas ou trios, elaborar cartaz que ilustre as ideias do texto de abertura dessa postagem, abaixo reproduzido:


A memória dos lugares pode ser transmitida oralmente. Em geral, são as pessoas mais velhas que transmitem, através de relatos saudosos, as lembranças do que havia, e já não há mais. Das relações entre as pessoas, da natureza que foi modificada, das edificações que desapareceram ou passaram a ter outra finalidade. O que resistiu e o que não resistiu aos anos. Já o registro dessa memória é feito através de imagens, textos, músicas, sons gravados e uma série de outros documentos e objetos. 

A ênfase, no entanto, tem de ser em um único lugar. De preferência, um lugar conhecido pelos alunos e seus pais, tios e avós. As imagens utilizadas no cartaz deverão conter legenda e crédito.

Qualquer dúvida, escreva no comentário.

Entrega dia 21/03

Prof. Izildo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

PLENO EMPREGO

Situação de equilíbrio na economia que proporciona uma taxa mínima de desemprego, a ponto de faltar trabalhadores em diversas funções, o que implica alta de salários, aumento de custos e riscos de inflação.




Deu no Estadão


País vive pleno emprego, diz FGV

Para comprovar a tese, economista argumenta que os salários estão crescendo acima da produtividade

08 de fevereiro de 2013 | 12h 00


Fernanda Nunes, da Agência Estado
A economia brasileira vive uma situação de pleno emprego, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Fernando Barbosa Filho. A informação contraria a interpretação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que não reconhece o pleno emprego, apesar das baixas taxas registradas na Pesquisa Mensal de Emprego (PME).
Para comprovar a sua tese, o economista da FGV argumenta que os salários estão crescendo acima da produtividade. "Isso vai gerar problema para as empresas. O mercado só pode responder jogando gasolina na inflação. A tendência é que a pressão nos preços de serviços devido ao mercado de trabalho apertado continue. A indústria não deve ter refresco do mercado de trabalho neste ano", avaliou.
Em janeiro, o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), tradicionalmente, é mais alto do que no mês anterior, observou Barbosa. No mês passado, o índice, que corresponde à variação das taxas de desemprego entre dois meses, avançou 2,7%. Em dezembro, a taxa foi de -2,4%. A elevação do porcentual indica mais desemprego.
Apesar deste dado relativo ao mês anterior, o economista ressalta que não foi observada nenhuma tendência de mudança no mercado de trabalho, que deve permanecer em expansão. A expectativa é que a taxa de desocupação da PME deverá se aproximar de 5% em janeiro, segundo previsão do Ibre/FGV. A avaliação é que o mercado de trabalho está, atualmente, no patamar de outubro de 2012.
Apesar da previsão de aumento do desemprego no início do ano, o esperado é uma retomada da contratação no fim do primeiro trimestre, disse Barbosa Filho. A projeção é de uma taxa de desocupação inferior aos 5,5% registrados em 2012.
"Houve uma mudança no perfil do mercado, que passou a ser puxado pelo setor de serviços. A tese de crescimento da ocupação por causa da retenção da mão de obra pela indústria não me convence. Isso pesaria no bolso do empresário. Não podemos acreditar em um otimismo infinito da indústria", argumentou